Por um e-commerce com menos gurus

Por um e-commerce sem falsos profetas

O ano de 2015 chegou e é importante abordarmos algumas questões do mercado de e-commerce no Brasil. Todos sabem que o comércio virtual é o futuro do varejo, então, cada vez mais lojas online surgirão. Marinheiros de primeira viagem buscam consultores para investir no melhor modelo de negócio possível dentro de suas condições.

É justamente aí que mora o perigo, pois existem diversos “gurus” ou profetas de e-commerce que não possuem bagagem alguma para instruir leigos no assunto, mas que ganham dinheiro prestando serviços especializados ou ministrando palestras.

Qual seria a bagagem desses falsos gurus?

Por um e-commerce com menos gurusNos últimos anos, participei ativamente da abertura de mais de 200 comércios virtuais. Vivo uma rotina alucinante de números, planejamento de mídia, design, resultados de diversos testes (muitos mesmo), subidas de loja, códigos HTML, JS, mudanças necessárias nesses negócios, dia a dia, trauma de estoque, entrega, DRE, novas soluções, etc.

São pelo menos 12 horas por dia convivendo com todas essas situações, e, ainda assim, todos os dias eu aprendo alguma novidade. Sempre surgem novas perguntas, erros diferentes e diversos problemas.

Um dos fatores que mais atrapalha o dia a dia dos novos empresários são os conselhos de “profissionais” que falam como especialistas em comércio virtual, utilizando-se da credibilidade de duas ou três nomenclaturas de mercado para conquistar a confiança dos clientes. Muito tempo e dinheiro são desperdiçados com esses “gurus” diariamente.

Os novos empreendedores acabam caindo na mão de pessoas despreparadas, que decoram muito bem o discurso, mas quase nunca conseguem colocar em prática o que pregaram.

Quem na verdade está prestando esta consultoria?

Como sempre digo em minhas palestras, “Deus castiga o burro”. E é na hora de economizar alguns trocados ou a falta de pesquisa sobre a pessoa que contrata, é que essa frase se transforma em uma triste realidade. Saiba em quem está apostando suas fichas. Pergunte quantas e quais lojas o profissional em questão já subiu.

Em determinado momento, o falso especialista precisará de alguém que realmente saiba fazer o trabalho para concretizá-lo. Nesse momento, já pode ser tarde demais por conta do dinheiro desperdiçado e erros cometidos.

Profissionais realmente gabaritados estão perdendo espaço no mercado por conta disso, mas o pior é o que esse efeito causa: desistência. Com tantos problemas para se montar um negócio, o possível empreendedor acaba pensando que sua ideia é ruim e aborta a mesma.

Percebam que esse “guru” de e-commerce acaba por minar o crescimento do setor, ao invés de agregar novos adeptos. Já vivi casos que de gente que ficou seis meses passando por consultorias e não sabia sequer o básico das operações.

A realidade destrói todas as teorias. No dia a dia não tem como fingir saber. Fazer o número fechar, fazer a compra acontecer, fazer tudo se conectar. No dia a dia é quando o “guru” some, pois não tem apresentação de Power Point que o salve.

Peneirando o mercado

Vamos começar 2015 com menos “gurus” e com mais profissionais que aprenderam fazendo. Que tenham mais horas de implementação do que de palco. Que aprenderam a “sangrar” os números, que planejam todas as ações. Aqueles que aprenderam que as perguntas mudam antes mesmo de se saber as respostas, que tem calo na mão não por causa do microfone, mas de tanto fazer mockup de novas páginas.

Os que enxergam tudo numa visão termodinâmica de seus mapas de calor, que fazem de seu final de semana apenas um intervalo entre um novo round de uma luta contra os números que não acabam nunca.

Por Tiago Luz, diretor e Chief Ecommerce Evangelist da VTex

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1 COMENTÁRIO

  1. Ótimo artigo. Esses gurus de palestra não podem ser tidos como referência. Pior ainda quando eles fundam “associações de classe” para gerar uma falsa relevância.

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