Fim do boleto sem registro e o e-commerce

 

Fim do boleto sem registro e o e-commerce

O fim do boleto sem registro tem tirado o sossego de lojistas e empresários de todo Brasil. A preocupação atinge, principalmente, aqueles que fazem vendas online, onde o boleto bancário é o segundo meio de pagamento mais utilizado.

A polêmica teve início no primeiro semestre de 2015, quando a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou o projeto da Nova Plataforma de Cobranças, com o objetivo de trazer mais segurança e transparência para o mercado de pagamentos. Essa mudança acarretou o fim do boleto sem registro no modelo que funciona atualmente.

Segundo uma pesquisa feita pela E-commerce Brasil, em parceria com o SEBRAE, cerca de 75% dos consumidores preferem pagar através do boleto bancário por causa das baixas taxas.

Além disso, segundo a Febraban, cerca de 3,6 bilhões de boletos são emitidos todos os anos no Brasil. Dada essa expressiva inclinação do brasileiro ao uso do boleto, a expectativa de muitos lojistas é enfrentar sérios desafios com seu capital de giro, devido aos custos agregados à emissão do boleto registrado.

Desde o anúncio das mudanças, iniciou-se uma grande especulação sobre o assunto nas redes sociais. De um lado, estão os lojistas preocupados com o aumento nos custos que a medida pode trazer para seus negócios. Do outro, estão os serviços financeiros e bancos interessados em aumentar a segurança e diminuir o número de fraudes nas transações envolvendo boletos bancários. Você vai entender melhor que riscos de segurança são esses, já, já.

O que acontece é que, além dos lojistas e bancos, essa medida tem também preocupa muitos consumidores que se consideram os maiores prejudicados pela mudança. Alguns usuários do Facebook dizem que, no fim das contas, quem vai “pagar o pato” é o consumidor final, pois o lojista acrescentará o custo das taxas do boleto registrado no valor dos produtos, representando altas nos preços das prateleiras.

Para esclarecer as dúvidas sobre o fim do boleto sem registro, neste artigo vamos explicar tudo que lojistas e consumidores precisam saber sobre as novas regras da Febraban, além de trazer dicas preciosas para que lojistas possam enfrentar a medida, evitando quedas no faturamento e sem aumentar o ticket de seus produtos.

Para começar, é importante entender como os boletos bancários funcionam e quais as diferenças entre boletos com registro e sem registro.

O que é boleto não registrado?

O boleto sem registro é emitido pela empresa que tem uma conta a receber, sem a necessidade de especificar um banco exclusivo para receber por esse pagamento. Esse tipo de boleto bancário não precisa ser registrado no sistema do banco.

Também não é obrigatório especificar o valor e a data de vencimento. Mesmo sendo mais simples e carente de informações importantes, o boleto sem registro é muito utilizado, principalmente pelas lojas online. Hoje, ele representa 40% do total de boletos emitidos diariamente no Brasil.

Por que lojas virtuais utilizam o boleto não registrado?

Entre 30 e 50% dos boletos emitidos no e-commerce não são pagos pelos consumidores. Na maior parte das vezes, isso acontece pois o consumidor acha um produto com preço interessante em sua loja, emite o boleto, e usa o tempo de vencimento para pensar melhor sobre a compra.

Muitas vezes, ele acaba desistindo do produto. Se o boleto for registrado, além de perder a venda, o lojista também acaba desperdiçando o custo de emissão.

Por isso, mesmo cientes dos riscos envolvidos nas transações online com boleto sem registro, muitos lojistas preferem trabalhar com esse meio de pagamento pois ele oferece vantagens muito interessantes para a empresa emissora:

  • Há apenas uma taxa, referente à quitação do boleto, que deve ser paga à instituição bancária. Caso o cliente não efetue o pagamento do boleto emitido, não são cobradas as taxas pelo serviço e a empresa poupa o gasto;
  • Se a empresa que emitiu o boleto e o pagador acharem necessário, os prazos de pagamento e valores do documento podem ser alterados, sem que o banco tenha que aprovar a mudança.

Quais os riscos e desvantagens do boleto sem registro?

Mesmo com tanta flexibilidade, receber pagamentos por meio de boletos não registrados também tem desvantagens e pode trazer alguns riscos.

Primeiramente, o lojista que emite uma grande quantidade de boletos sem registro precisa de uma gestão eficiente e rigorosa na loja para confirmar se cada boleto emitido foi efetivamente pago na data combinada com o consumidor. Isso pode gerar muita confusão e acarretar em problemas de estoque para o comerciante.

Além dos problemas de gestão, é comum que boletos não registrados aumentem o número de fraudes, já que dados do recebedor podem ser alterados, como o nome do recebedor, dados bancários e a data de vencimento. Como não há um registro no sistema do banco, não é possível contestar esse documento e o lojista acaba perdendo o custo de emissão.

É bem possível que você já tenha ouvido falar, ou mesmo tenha passado por situações envolvendo golpes com boletos. Esse tipo de fraude é muito comum e prejudica lojistas e todo sistema bancário.

Imagine essa situação: um cliente faz checkout no seu e-commerce e o meio de pagamentos escolhido é o boleto bancário. Os boletos que você emite em sua loja não são registrados e, por isso, geram apenas um código de barras que é usado pelo comprador para fazer o pagamento em qualquer banco. Depois de pagar pelo pedido, o cliente espera sua confirmação de recebimento e envio do pedido. Entretanto, ao conferir o recebimento dos seus pagamentos, a quitação desse boleto não é identificada.

Um possível motivo para o “extravio” desse pagamento é um tipo de fraude muito comum no e-commerce. Através de um vírus instalado no computador do consumidor, criminosos fazem alterações no código de barras do boleto bancário sem registro e, dessa forma, alteram os dados do recebedor, desviando o valor para outra conta. Como não há um registro oficial de dados, fica muito difícil evitar esse tipo de golpe.

Como funciona o boleto registrado?

Emitir um boleto registrado envolve enviar um arquivo, gerado no momento da emissão do boleto, para a instituição bancária. O banco receberá todas as informações que no boleto simples são facultativas, como a identificação da pessoa ou empresa que pagará pelo boleto (chamado tecnicamente de “devedor”), com seu CPF ou CNPJ, além do valor da cobrança e do prazo limite para pagamento.

Registrando o boleto bancário, lojistas tem um controle maior sobre as faturas que foram emitidas em suas empresas. No modelo registrado, é muito fácil descobrir se o cliente efetuou o pagamento, quando e por qual produto ou serviço pagou. Também, quando o cliente não quita o boleto, é possível descobrir se o produto ou serviço foi efetivamente entregue ou executado. Nesse caso é possível protestar o título não pago em um cartório. No comércio eletrônico, o protesto de boleto registrado não é comum, já que o produto é enviado apenas depois do pagamento.

Em contrapartida, o processo de registro de um boleto acarreta custos operacionais para o banco e, consequentemente, a cobrança de taxas para a empresa destinatária do pagamento. Isso pode encarecer muito a operação de empresas que transacionam altos volumes de boletos bancários.

Boleto não registrado: Porque a Febraban anunciou seu fim?

O alto número de fraudes envolvendo boletos não registrados foi o principal motivo que levou a Federação Brasileira de Bancos a criar a Nova Plataforma de Pagamentos. Além disso, o formato que utilizamos atualmente para fazer cobranças bancárias existe desde os anos 1990, quando o código de barras passou a fazer parte do documento de cobrança e o pagamento passou a ser interbancário.

É evidente que ao longo de mais de 20 anos vivemos inúmeras mudanças causadas pelas novas tecnologias. Por isso, o sistema financeiro do Brasil entendeu que era o momento para uma atualização na forma como as cobranças acontecem.

Mas as mudanças não vão parar no fim do boleto sem registro. A intenção da Febraban é que, em alguns anos, o boleto bancário impresso como conhecemos seja completamente extinto e todos os pagamentos sejam 100% digitalizados. Já imaginou que mudança chocante?

Em comunicado oficial, o diretor-adjunto de Negócios e Operações da Febraban, Walter Tadeu de Faria, afirmou: “A Nova Plataforma de Cobrança trará benefícios para o consumidor e para a sociedade, como maior facilidade no pagamento de contas vencidas, além de evitar o envio de boletos não autorizados”. No vídeo abaixo, Walter faz o comunicado e fala sobre a nova plataforma no 1º Congresso Nacional de Provedores, em setembro de 2016.

Segundo Walter, novos processos e tecnologias precisavam ser incorporados no antigo sistema de recebimento de cobranças. Além disso, com o novo sistema, será possível pagar o boleto após o vencimento, em qualquer agência bancária. Também serão reduzidos os números de inconsistências nos dados, evitando a duplicidade de pagamentos e permitindo a identificação do CPF do pagador, o que facilitará o rastreamento de pagamentos e reduzirá o número de fraudes.

Com a Nova Plataforma de Cobranças da Febraban, o sistema de boletos bancários será modernizado e trará mais segurança e agilidade para toda sociedade.

Como funciona o boleto registrado na Nova Plataforma?

O Banco Central estabeleceu algumas normas para esse tipo de operação. Entre elas, o CPF ou CNPJ do emissor e do pagador, data de vencimento e valor do documento serão obrigatórios.

Com isso, no momento de pagamento do boleto será realizada uma consulta automática na Nova Plataforma para que as informações sejam conferidas. Se os dados impressos no boleto forem compatíveis com os registrados no sistema, a operação é validada e efetivada. Entretanto, se houver divergência de dados, o pagamento não é autorizado e o cliente poderá pagar esse boleto apenas no banco que fez sua emissão.

A fim de evitar inconsistências nos pagamentos e lavagem de dinheiro, o sistema realiza cruzamento de informações para checar dados. Além disso, essas validações de informações agregam maior transparência no relacionamento com o consumidor final, pois aprimoram o controle dos boletos facultativos, conhecidos como boletos de proposta, que são enviados sem a autorização do cliente.

Na Cartilha da Nova Plataforma de Cobrança, a Febraban salienta que o código de barras com 44 posições continua funcionando da mesma forma, sem mudanças necessárias nos leitores óticos de códigos de barras.

Quando acontecerá o fim do boleto sem registro?

O projeto da Nova Plataforma de Cobranças foi anunciado em 2015 e, desde aquele ano, a implementação tecnológica tem sido feita para que o sistema esteja funcionando a pleno vapor em 2017. A partir de março deste ano, torna-se obrigatória a adequação à Nova Plataforma. Entretanto, a regra começa a valer apenas para boletos com valor superior a R$ 50.000,00. A intenção é que, até o final do ano, boletos de qualquer valor sejam afetados.

Com tantas mudanças, você deve ficar atento para não perder os prazos e registrar os boletos corretos, a cada mês.

O que muda no dia a dia com o fim do boleto sem registro?

Na prática, a empresa emissora deverá registrar o boleto antes que os clientes efetuem o pagamento. Os dados cadastrais do pagador devem estar completos, isso inclui obrigatoriamente o nome, CPF ou CNPJ e endereço. Depois disso, o boleto pode ser transmitido ao banco (via arquivo remessa). Além disso, é necessário ficar atento para os seguintes pontos:

  • O banco pode aplicar outras taxas, como registro, liquidação, permanência e baixa do boleto;
  • Em caso de inconsistências, estornos automáticos serão forçados;
  • Fraudadores serão bloqueados imediatamente em toda a rede bancária, caso uma fraude seja identificada;
  • Os juros, multas e descontos serão limitados por um padrão dos bancos;
  • Qualquer edição no boleto deve ser registrada junto ao banco, através de um arquivo de remessa. No dia seguinte, o arquivo retorno deve ser processado, observando possíveis inconsistências.
  • O boleto sem registro ainda poderá ser emitido, desde que seja pago em agências do banco que foi responsável pela emissão. Eles só poderão ser aceitos pelo banco se os dados cadastrais do pagador estiverem completos, isso inclui nome/razão social, CPF/CNPJ e endereço.

Ainda faço a emissão de boletos sem registro. E agora?

Você pode se adequar segundo os prazos estabelecidos pela Febraban mas, quanto antes você puder iniciar a emissão de boletos registrados na sua empresa, melhor. Assim você estará mais adaptado com os novos procedimentos quando forem obrigatórios.

Qual será a forma mais segura de emitir boletos registrados?

Aqui no Moip, já estamos totalmente preparados para as novas mudanças propostas pela Febraban. Emitimos mais de 900 mil boletos bancários mensalmente para nossos clientes. As tarifas são flexíveis e podem ser adaptadas à realidade do seu negócio.

Ao emitir boletos registrados com o Moip Pagamentos, você contará com a gestão de riscos mais segura do mercado. Se precisar emitir boletos registrados de forma fácil e segura, entre em contato conosco e descubra porque flexibilidade e transparência são a nossa cara.

Como não sair no prejuízo com o fim do boleto sem registro

Se você trabalha no e-commerce, com certeza está revoltado com o anúncio do fim do boleto sem registro.

Mas fique tranquilo! Pensamos em algumas dicas de marketing para e-commerce que vão te ajudar a evitar perder vendas e gastar à toa com boletos não pagos.

A partir de agora, seu principal foco deve estar em estimular o consumidor a pagar pelo boleto já gerado. Para isso, configure o disparo de emails automáticos lembrando o cliente que o boleto está vencendo. Faça isso com perspicácia.

Por exemplo, dispare o envio desses emails na parte da manhã e sugira que que o cliente utilize o horário do almoço para quitar a cobrança no banco mais próximo.

Também é possível oferecer cupons de desconto em compras futuras para clientes que pagarem o boleto dentro do prazo estipulado. Além de aumentar o número de pagamentos efetivados, você aumentará as chances desse cliente voltar em sua loja.

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Por Thiago Maboni no blog do Moip

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